Meu principal cliente é uma grande empresa de Telecom, que possui dois prédios gigantes, com grandes andares dilbertianos: longas salas divididas em baias, estas organizadas por produtos/núcleos de atividades. Parece uma repartição pública.
Há uns dois meses, notamos uma novidade muito interessante: em cada grupo de baias, havia uma caixa repleta de frutas – maçãs, peras, bananas, goiabas, pêssegos… Questionando a origem e o propósito das frutas, entendemos que era a própria empresa que estava comprando e distribuindo, pensando em melhorar a saúde e os hábitos alimentares dos funcionários. Foi uma sugestão dos funcionários, mas a empresa havia abraçado a causa! E com louvor, frutas de excelente qualidade, sempre em abundância… Realmente ficamos surpresos…
Não é algo maravilhoso? Garanto que todos estavam muito felizes com a iniciativa. As frutas eram tão boas, que até nós (um mero fornecedor) pegávamos algumas antes de entrar em reunião. E não faziam falta, dado que regularmente a caixa era preenchida pela empresa.
Semana passada, levamos um novo susto: as frutas sumiram!
Questionamos o porque e, apesar de não haver nenhuma informação explicando oficialmente o motivo disto, a mudança veio por uma PROIBIÇÃO do departamento de Recursos Humanos. Sim, o RH proibiu!
…Ué, mas se o RH era o autor da conquista, o que havia causado essa mudança de 360°? Corte de verbas? Não, não foi isso… Pois os funcionários propuseram repor as frutas eles mesmos… e foram vetados! A caixa de frutas foi realmente banida da empresa.
Você pode ainda levar sua frutinha individualmente, mas um grupo de pessoas não pode deixar uma cesta de frutas disponível para todos.
A “rádio peão” (ou seja, a fofoca que corre entre os funcionários) tem uma explicação mais detalhada: “Dizem as más bocas que um funcionário processou a empresa, alegando que passou mal após comer uma fruta podre.”
Preciso explicar onde entra a parte da cretinice humana, ou já está mais que óbvio? Tá, vamos lá:
De duas, uma: Ou o funcionário não tinha a menor noção de como devemos comer uma fruta, e REALMENTE comeu uma fruta que estava, excepcionalmente, fora de condições de consumo (como testemunha ocular, posso afirmar que em meses não vimos nenhuma neste estado!)… E com base nesta experiência ruim, achou que era culpa da empresa, por não ENSINAR previamente como se come uma fruta; Ou como segunda opção, o funcionário INTENCIONALMENTE comeu uma fruta inadequada, para depois poder mover uma ação trabalhista/judicial contra a empresa.
No primeiro caso, onde o ocorrido teria sido um acidente… A empresa teria mesmo responsabilidade? Quer dizer que temos de ensinar as pessoas a como devem lavar as mãos após usar o banheiro, que não devem colocar canetas dos outros na boca, devemos ensinar coisas básicas como, por exemplo, a forma de utilizar garfo e faca? Afinal, alguém pode SE MATAR usando garfo e faca inadequadamente!
No segundo caso, prefiro nem comentar. O ser humano é um bicho muito do mal. Este tipo de coisa acontece o tempo todo.
Essa cretinice toda gerou dois resultados:
1) As frutas foram mesmo proibidas lá no cliente. Que pena. Imagine como será difícil implementar uma próxima idéia boa, depois desta experiência frustrante… Então além de perderem o benefício, ainda “engessaram” mais o processo de conquistas, dificultaram a melhoria colaborativa do ambiente de trabalho. Tudo isto, possivelmente pela cretinice de UM INDIVÍDUO…
2) Adoramos a idéia, e passamos a fazer nossa própria “cesta de frutas” aqui na empresa onde trabalho! Ao menos algo de bom saiu disso tudo! : )