Confesso que não sei viver sem apego, sem aumentar a importância das coisas e pessoas.
Tudo que importa vira vício. Especialidade. Obsessão.
Sigo me auto-vampirizando, enlatando minhas energias e dando de presente para pessoas que, em geral, só me fazem sofrer.
Não, não sou uma deslumbrada influenciável que se encanta toda hora por algo novo.
Sou uma viciada monogâmica:
Um homem.
Uma rotina.
Um hobby.
Uma obsessão por vez.
Se estou descontente, não é por fazer uma escolha ativa.
É porque não consigo me desvincular das minhas paixões, dos meus vícios, e sigo sofrendo em silêncio absolutamente desconectada de todo o resto do mundo.
Não vejo as oportunidades.
Não vejo as pessoas.
Sigo cega e sozinha.
Sem rumo.
Não quer dizer que não hajam prazeres.
Que em muitos momentos eu não seja feliz.
Não sou nem fui mal amada. Amém.
Só gostaria de ter a coragem de abandonar tudo que me prende. Que me atrasa.
Me envolvi em uma teia de vícios, hábitos e desculpas. Estou presa!
Preciso amadurecer. Meus 30 anos não significam nada, sou uma criança.
Gostaria também de ter uma família, alguém pra amar. Nunca admiti isso de verdade.
Queria ter a coragem de encarar os desafios de verdade e consertar a inércia da minha vida.
…pra isso eu precisaria parar de me esconder.
…parar de arrumar desculpas.
Mas não posso, tenho medo.










