Origem:
Muito tempo atrás, fiz um exame médico admissional, para ingressar numa empresa com o cargo de Web Designer. Uma moça simplória me atendeu:
- Nome?
- Luciana Picoli.
- OK. Empresa?
- Empresa de Tal.
- Tá. Cargo?
- Web Designer.
- OK. – observo enquanto ela escreve “uébi desarni”.
Hoje:
Tenho entrevistado muitas pessoas para este mesmo cargo.
Curiosamente, uma das melhores pessoas que entrevistei até agora, não é especialista em web (como eu não era na época que virei profissional uébi. E por sinal, estudou quase que comigo, uma turma antes de mim, no SENAI. Um Designer… Web.
Já uma das piores pessoas, caprichou por completo: escreveu “seguimento de mercado” e faltou na entrevista. Uébi Desarni.
SPC:
Fico pensando se não podÃamos ter uma base de dados integrada de maus candidatos. Um SPC de capacidades profissionais – talvez se chame SPV – Sistema de Proteção a Vagas. Seria anti-ético, claro. Mas economizaria um tempo absurdo. Além do tempo, economizaria stress.
Claro que o sistema estaria fadado a morrer, porque compartilharia de uma falha intrÃnseca dos sistema de crédito: só as falhas e pontos negativos seriam registrados, com um absurdo exagero emocional, escritos no calor do momento.
Quando você errasse, seu chefe ameaçaria:
“Vou te demitir se você errar muito”.
“Se errar pouco não demito, não reduzo seu salário, mas te incluo no SPV”.
Análise Positiva ou Negativa?
No SPV, os pontos de vista errôneos deveriam ser barrados. Penso em criar uma delegacia que audite as análises postadas, e chame para interrogatório os empregadores que usarem o sistema demasiadamente para denegrir seus funcionários. Afinal, deve haver uma porção de crimes vinculados à esse abuso, como difamação e calúnia, assédio moral, dentre outros.
Isso, falando dos exageros. Provavelmente um contratante de call center, que lida com bando, boiada.
Falando dos empregadores de pessoas com cargos consultivos, o processo fica mais suave, com nuances de abuso que a delegacia não poderia detectar auditando. Funcionaria somente através de denúncias. Por exemplo:
Existem contratantes que acham que defeitos são virtudes. E vice-versa. Aqui pros lados do Ipiranga, costumam ressaltar demais que ser detalhista é ser ruim. Queime no inferno, seu detalhista malvado. Eu já acho diferente:
- detalhe necessário, bom.
- detalhe desnecessário, ruim.
Eu acho absolutamente necessário saber o cenário em que o produto do meu cliente está imerso. Todos os detalhes ajudam a montar a foto, e aà consigo visualizar o macro. See the whole picture. Já o chefe acha que vê a imagem toda sem saber nenhum detalhe. Desconfio que ele seja médium, ou quem sabe clarividente.
Então se eu for cadastrada no SPV por ser uma evil detalhista, que atrapalha e engessa processos com perguntas como “qual o objetivo desta peça? qual o público alvo?”, prometo que cadastro ele no SPE – Sistema de Proteção ao Empregado.
Sistema de Proteção ao Empregado
O ponto focal do SPE, seria garantir ao candidato o correto entendimento de uma nova proposta de trabalho. Por exemplo, veja esta oferta:
Original: “Cargo: Web Designer, CLT, R$ 2000 + VT + VR, 40h semanais, Carreira na Empresa”
Entendimento SPE: “Cargo: Web Designer, Programador, Atendimento e Produção, CLT (sem depósito de FGTS, estamos sonegando impostos no momento) + VT (R$ 5,00 / dia, afinal você precisa emagrecer) + VT, 72h semanais, Nenhuma possibilidade de crescimento na empresa”.
Outra funcionalidade do sistema, seria validar promessas e propostas feitas a funcionários já contratados. Por exemplo:
Original: “Estou montando uma equipe, em breve você terá mais braços te ajudando, e com este fôlego extra poderá evoluir… Assim inclusive poderemos crescer e aumentar seu salário”
Entendimento SPE: “Pretendo contratar um estagiário a preço de custo, que na verdade vai mais te dar dor de cabeça, que ajudar efetivamente. Sei que seu tempo, que já é escasso, ficará ainda mais complicado, mas acho isso bom assim você não poderá refletir muito sobre sua carreira. Ah, e claro, o dinheiro que estamos pagando para o estagiário sairá da projeção de aumentos que fizemos para você. Ou seja, se estamos pagando R$ 800 para ele, você precisará merecer um aumento de R$ 900 para ganhar um aumento de R$ 100.
Uma das premissas do sistema, seria que você, ao ser promovido a chefe, teria seu acesso bloqueado. Para não ficar sabendo quem fala o que de você.
A morte do SPE, do SPV e da BIC
E daà que no fim do dia, chefe e empregado discutem na sala de reunião:
- Baixa a crista senão te cadastro no SPV!
- Rárárá! Mal sabe você o que eu já disse sobre você no SPE!
- Ah é? Eu estava mentindo, você já está no SPV também, só que vou incluir agora lá que você é um rato, um dedo-duro. Nunca mais você arruma emprego.
- Você está louco? Tenho filha pequena pra alimentar!
- Minha vez de falar “rárárá”. Se f****. Não é problema meu.
A polÃcia especial de auditoria , de distintivo “BIC – Bureau de Investigação de Calúnias, estava ouvindo a reunião através de escutas na sala. Haviam denúncias anteriores tanto quanto ao empregador, por abuso, e também quanto ao empregado, também por abuso. E a discussão termina em morte.
No dia seguinte, todos os jornais e blogs postam sobre o causo do SPV/SPE. Durante as investigações, um jornalista descubriria acidentalmente que essa polÃcia era corrupta, com propinas e cachês periódicos pagos pelos contratantes, e alguns contratados ilustres, que não queriam ver suas carreiras manchadas. Recebiam dinheiro de ambos os lados.
O Governo Federal intercede e tira do ar os sites do SPV, SPE, e também fecham a delegacia especial da BIC.
Ok, estou viajando.