Post Aleatório . 14-08-2011

Parallel lifeforms

Não, não vou falar da minha música preferida do neuroactive… E sim da Elys. O que é que acontece que diversas coisas exóticas acontecem com a gente ao mesmo tempo? Engordar, emagrecer, arrumar namorado, cortar cabelo, comprar carro, comprar moto… Poxa! Até os bancos das nossas Intruders...

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Perda de Identidade

Categorias: Cirurgia Bariátrica, Coisas da minha cabeça

Postado por Lux em: 09-04-2015

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Sempre gostei muito dessa foto. Não que eu vá dizer, agora, que acho que estava feia, ou algo assim. Na medida do possível sempre tentei me cuidar e sempre me achei bonita. Mas a verdade é que não consigo me reconhecer da mesma forma que antes. Não consigo ver a graça que via antes.

Fico pensando – se essa era uma das melhores fotos, caramba, eu estava mal.

A única coisa que eu realmente gosto nessa foto é o meu cabelo – estava bonito e com sua cor natural.

Sei que perda de peso extrema gera uma mudança de identidade e também uma aversão à quem éramos na fase de maior peso. Isso é esperado e foi amplamente abordado em terapia. Mas caraca, jamais imaginaria que chegaria a esse ponto.

Não me reconheço nem tampouco me gosto *realmente* nas fotos antigas.

Mas não achem que isso é ruim – é uma sensação ótima achar que estou melhor agora, perto dos 40, dos que estava perto dos 30 :)

Abaixo, algumas outras fotos que usei de avatar, na fase acima do peso.

Versão Duck Face (nem lembrava que era ruim assim!)

Versão Duck Face (nem lembrava que era ruim assim!)

Nerd, nerd, NERD :)

Nerd, nerd, NERD :)

Eu gosto da minha boca, ela ao menos continua a mesma :D

Eu gosto da minha boca, ela ao menos continua a mesma :D

Preciso achar esse chapéu e testar uma foto nova pra ver com que cara eu fico.

Preciso achar esse chapéu e testar uma foto nova pra ver com que cara eu fico.

Essa é, até agora, a única foto que continuo realmente gostando. A Mei alien ajuda.

Essa é, até agora, a única foto que continuo realmente gostando. A Mei alien ajuda.

Eu e o rato.

Eu e o rato.

Outra foto que preciso refazer.

Outra foto que preciso refazer.

Essa também acho boa, mas me acho enorme. Enormeeee. Como pode? Nem tava tão grande assim. Meia top model a mais.

Essa também acho boa, mas me acho enorme. Enormeeee. Como pode? Nem tava tão grande assim. Meia top model a mais.

Mais uma da fase L4.

Mais uma da fase L4.

Até que enxergo que eu tava bonitinha. Mas não sou eu.

Até que enxergo que eu tava bonitinha. Mas não sou eu. Tampouco sou eu vezes dois. É outra pessoa.

Se você pensa em operar…

Categorias: Cirurgia Bariátrica, Coisas da minha cabeça

Postado por Lux em: 12-03-2015

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…preste atenção nessa foto:

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Esse é um almoço típico meu, agora que estou chegando perto de 1 ano e meio no pós operatório. Fica entre 80g e 100g (quando pego mais, frequentemente não consigo comer). O certo, segundo minha nutri, é focar em proteínas (ovo, carne, etc.), pelo menos 60% do prato, e completar o resto com legumes coloridos.

Essa quantidade de comida mata a fome e me enche completamente. O problema é que preciso comer quase o tempo todo – pode esquecer isso de 3 em 3h, em geral belisco coisas de hora em hora mesmo. Seja uma fruta (as poucas que consigo comer, como uva), uma bolachinha, um suco ou bebida que contenha açúcar, ou até alguma oleaginosa. Na falta de algo correto pra beliscar, vai qualquer coisa que tenha açúcar / carboidrato – sem isso fico fraca, com glicemia baixa (pior caso medido foi 60, mas nesse dia não cheguei perto de desmaiar, o que já aconteceu outras vezes). Até aguento ficar mais horas sem comer, mas não todos os dias. Até dois dias seguidos, eu aguento (sei pq acontece frequentemente nos fins de semana). Mais que isso, entro em colapso.

Não é fácil. 

Não é uma pílula mágica.

Você sofre, passa mal quando come, passa mal quando não come. Precisa monitorar vitaminas, fazer exames completos de 6 em 6 meses (meu último exame de sangue envolveu a retirada de DOZE ampolas para testes), ficar atento à efeitos colaterais (de problemas renais a disfunções hormonais)…

E onde está a parte boa?

Simples: FUNCIONA.

Eu duvidava do meu médico. Ele dizia que eu podia ficar tranquila, que meu estômago não iria dilatar depois e passar a aguentar quantidades enormes de comida novamente. Disse que isso acontece nos métodos onde a parte mais elástica do estômago é mantida (caso da cirurgia mais feita no Brasil e no mundo), mas não no método que eu fiz (pois a parte que fica é bem mais firme). Que isso é mito. Eu duvidava.

Só para constar, meu método se chama sleeve ou gastrectomia vertical.

Os riscos, no meu caso, são outros. Úlcera, refluxo, fístula. Problema sério no caso de câncer (não tem mais estômago sobrando, não dá pra cortar fora um pedaço). Ou seja, dá pra se matar se não cuidar bem do estômago. Mas, fora isso, é só uma questão de não descer a ladeira na alimentação. Porque sim, tem gente que passa a comer só leite condensado puro, chocolate, carnes extremamente gordurosas… E comendo somente bombas alimentares, obviamente o resultado final é uma explosão.

Dizem meus médicos (cirurgião e a nutri) que mesmo que eu reganhe um pouco de peso, isso normalmente se dá entre 5 e 15 anos da cirurgia, e que jamais terei meu peso original novamente, exceto no caso acima de quem come só os alimentos mais calóricos do planeta. E ainda assim, se isso acontecer, há a possibilidade de fazer um desvio no duodeno, para complementar a cirurgia. O dono da clínica que eu operei que inventou esse método (hoje utilizado no mundo todo), porém mesmo assim eles não me recomendaram a fazê-lo de cara. Não é porque inventaram, que é adequado pra todos os casos! Achei isso muito legal e correto da parte deles.

Resumo: meu objetivo com a cirurgia era conseguir comer pouco no dia a dia (afinal, não se engorda por entrar em comunhão com o espírito santo, engorda-se engolindo um monte de calorias). Pra isso, obviamente, tem de caber pouca comida e a fome não pode ser avassaladora. Tudo isso a cirurgia resolve completamente. Então, toda vez que olho pro meu prato de almoço, vazio, quase desértico, fico feliz. Toda vez que como algo mais pesado ou mais do que devia e dói, também fico feliz. Toda vez que tenho desejo de comer algo, vou lá, como um pouco e me satisfaço rapidamente. Não me privo de nada.

O melhor é que essas coisas não mudam conforme meu humor.

Objetivo de vida alcançado e sendo mantido. :)

P.S.: Recomendo a cirurgia tanto quanto recomendo a comprar uma moto. Ou seja, não recomendo. Mas se você decidir por si só comprar uma moto (ou fazer a cirurgia), pode me procurar que vou gastar quantas horas forem necessárias explicando e dando dicas de tudo que sei.

Ponto de Vista

Categorias: Cirurgia Bariátrica, Coisas da minha cabeça

Postado por Lux em: 27-02-2015

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Acima, uma foto da minha formatura no SENAI. Me gosto nela. 1996. Mais ou menos 18 anos. 5 Kg a MAIS do que tenho hoje.

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Agora, foto recente, desse mês. Me gosto nela. 2015. Quase 37 anos. 5 Kg a MENOS do que na foto anterior. (e um Anderson a mais na foto – essa foto foi tão compartilhada nas redes sociais que devem achar que somos namorados. Pensei em cortar ele, pois o assunto do texto sou eu, mas não se cortam bons amigos de uma foto, só pra gente brilhar sozinha, ou só pras pessoas não ficarem confusas). Enfim:

  • Não estou menor que na foto anterior. Minha “estrutura” mudou.
  • Perderei mais peso, querendo ou não, pois o processo não terminou, mas me gosto assim. Porque cricam tanto com garotas um poquito acima do peso?
  • Sucesso sucesso sucesso na cirurgia. Minha meta pessoal, emocional, etc etc etc, não era um número dado pelos médicos. Era chegar nos moldes da tal foto do SENAI. E cheguei. Ultrapassei. Que isso aqui fique como marco, pra eu ver daqui a 10 ou 20 anos.

Sumi, mas não morri!

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Postado por Lux em: 06-08-2014

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Aí vai uma pincelada sobre a fase pós operação, até hoje:

  • Não, não fiquei ensandecida e passei a viver loucamente – continuo na mesma, sem maiores emoções ou adrenalina. Mesma vida, mesmas gatas, mesmo namorado, tudo igual.
  • Meu humor, no geral, está bem pior – não sei se é a falta de calorias, mudanças na bioquímica do corpo, ou somente uma fase minha, mas tenho sido verdadeiramente grumpy.
  • Libido também anda meio em baixa, apesar das melhorias de disposição física e estética.
  • Meu cabelo caiu horrores, mas não fiquei careca. Parece que não vou mais ficar.
  • Tive um problema sério por falta de vitaminas da família B (B1, B5, B6 e B12), chamado “neuropatia periférica” – são nervos que vão degradando por falta de vitaminas. Cheguei a perder a sensibilidade das pernas, mas não perdi a coordenação motora. Tudo se resolveu com vitamina direto na veia + reforço na dose diária.
  • Tenho de tomar vitaminas todos os dias – faço manipulado e tomo 6 cápsulas por dia. Gasto R$ 140/mês só nisso (mas economizo centenas em comida).
  • Todo mês perco roupas – mesmo as novas, compradas este ano.
  • Não consigo fazer exercícios aeróbicos por muito tempo – por exemplo, consigo andar de bike por vários quilômetros, mas não consigo subir uma ladeira de 100m. Simplesmente desmaio por falta de calorias. É preciso então parar, comer algo, hidratar, esperar um tempo, aí posso seguir (tudo ANTES de a bateria acabar, claro). Qualquer exercício, hoje, vem atrelado a paradinhas para comer e beber.
  • Sim, há peles caindo – não horrorosamente como eu imaginava, pelas fotos que vejo na web, mas será necessário dar umas esticadas aqui e ali, num futuro a médio prazo.
  • Se for comida molinha (papinha, purê, sopa), consigo comer até uns 200g por refeição, pausando bastante. Se for comida pesada, como frango, consigo uma média de 80 a 100g por refeição. Já achei que ia morrer por comer meia coxinha de frango! (sim, meia!).
  • Curiosamente, as maiores porcarias do universo (salgadinhos fritos) caem maravilhosamente bem. Devagar, dá pra comer o pacote inteiro. A dica é só pegar um punhado e fechar o pacote (ah, se eu conseguisse me satisfazer com um punhado, antigamente!).
  • Bebidas descem fácil, contanto que o estômago esteja vazio. Acho que vai uns 100ml por vez, e não demora pra eu poder beber mais.
  • Beber álcool também é tranquilo – não sobe mais rápido que antes, não causa problemas.
  • É impossível comer e beber junto.
  • E por fim: sinto saciedade ao comer! Tanto a saciedade (já estou feliz com o tanto que comi), como “já encheu o balde”, coisas que antigamente eram desconhecidas para mim!

Comparação de 9 meses

E enfim, os resultados da operação de estômago

Sim, ainda sou gordinha! Mas:

  • 42,5Kg eliminados em 9 meses
  • Manequim passou de 56/54 a 48
  • Cintura de 114 para 95cm
  • Quadril de 145,5cm para 119cm
  • IMC de 46,27, no dia da cirurgia, ou de 40, que era a média nos anos antes de operar (e é obesidade mórbida), para 31,03 hoje, faltado somente 3,15Kg para sair das categorias de “obesidade” e ficar somente em “sobrepeso”.
  • Considerando que sou ossuda (sim, e muito!) e que há pele a ser removida (apesar de não ser muita), diria que JÁ ESTOU só com um leve sobrepeso :)
É fácil ver, no gráfico, que engordei mais de 10Kg no pré-operatório - sim, enfiei o pé na jaca, me despedindo de várias orgias gastronômicas. Mas, da cirurgia pra cá, existe somente uma curva vertiginosamente para baixo. Delicioso de se ver :)

É fácil ver, no gráfico, que engordei mais de 10Kg no pré-operatório – sim, enfiei o pé na jaca, me despedindo de várias orgias gastronômicas. Mas, da cirurgia pra cá, existe somente uma curva vertiginosamente para baixo. Delicioso de se ver :)

Resumo da ópera: estou muito feliz com o resultado, ainda em evolução, e recomendo fortemente a cirurgia. 

Só não recomendo como “saída fácil”, pois o caminho é bem chato e complicado.
Também não sei o que pensar das cirurgias com desabsorção (que envolvem o intestino), pois se o método que eu fiz NÃO mexeu na absorção e, MESMO ASSIM tive problemas sérios de falta de vitaminas, imagino como seria se tivesse encurtado o caminho lá dentro. Me dá medo de pensar.
E por fim, não aconselho DEFINITIVAMENTE pra quem acha que não precisa fazer acompanhamento psicológico (terapia), principalmente ANTES da cirurgia (pense em NO MÍNIMO 6 meses). Muita coisa muda, e é preciso se preparar para isso.

Primeiros 10Kg Eliminados!!!

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Postado por Lux em: 12-11-2013

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Oh yeah!!! É isso mesmo, já eliminei os primeiros 10Kg!

A verdade é que meu peso médio sempre foi 110Kg. E bom, antes da cirurgia estava mais de 15Kg acima disso… Então ainda não cheguei nem mesmo no meu peso médio. Mas não importa, dado que o que se espera após uma gastroplastia é uma redução permanente (mesmo que alguns Kgs voltem, lá no final), o que posso esperar é NUNCA MAIS ver o peso que tenho visto a cada dia na balança. Não importa se era líquido, gordura, massa magra… Nessa fase inicial, não adianta analisar demais!

Subo na balança, peso X e penso: bye bye “peso X”, espero nunca mais vê-lo. É uma sensação revigorante!

Nota mental: Na minha cabeça, não fiz o que todo gordo faz no pré-operatório: se acabar em orgias gastronômicas, como uma “despedida”. Pedi uma pizza aqui e ali, mas não mais que antes. Na verdade, menos. Mas no almoço, passei a comer pratos maiores – parmeggiana de frango, beirute de queijo… E tenho certeza que foi isso que me levou a subir tanto o peso, na véspera da cirurgia. Ok, véspera é um exagero, já que meu pré-operatório durou quase 6 meses – então a conta correta seria: 6 meses de almoços pesados e alguns poucos exageros em outros horários = 15Kg a mais. Não é nada pouco. Acho importante lembrar disso.

Por outro lado, continuo com IMC acima de 40 (sim sim, faltam 7,6Kg para sair dessa faixa) e tenho tido algumas dúvidas, principalmente quanto ao tamanho dos goles e porções que já estou conseguindo engolir – a sensação que dá é que, desse jeito, jajá conseguirei comer o mesmo que antes e voltarei a engordar. Será? Tenho consulta com a nutri essa semana, vou tirar todas essas dúvidas.

A verdade é que me sinto tão bem, que fico agoniada de ainda estar proibida de fazer exercícios.

O médico foi claro quanto a andar de moto – o risco não é andar, por si só, mas a possibilidade de um acidente. De toda forma, me conheço… alguma atividade física acabarei fazendo, mesmo que leve. Estou somente esperando os 15 dias! Antes disso também é exagero demais, não?

“Entrevista” com meu médico

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Postado por Lux em: 09-11-2013

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Pensei em chamar esse post mais de ” interrogatório”, mas na verdade foi uma boa conversa – meu cirurgião foi todo simpático e, ao contrário do que muitos fazem, disse para eu perguntar o que eu bem entendesse. Gastou um tempão tirando as minhas dúvidas!

Algumas dúvidas podem parecer absurdas, mas são coisas que passaram pela minha cabeça e, suponho, devem passar pela cabeça de outros operados também. Aí vai:

Lu:  Quantos ml sobraram de capacidade no estômago?
Dr.: Cerca de 100ml, em repouso (lembrando que o estômago tem capacidade de se esticar).

Lu: Quanto foi removido? Estava normal ou muito grandão?
Dr.: Em uma estimativa, o seu estômago estava com de 400ml a 500ml, em repouso, podendo passar de 1l de capacidade, quando cheio.

Lu: Qual o tamanho do estômago de uma pessoa normal (não obesa)?
Dr.: Entre 300ml e 400ml, varia bastante. Isso em repouso. A elasticidade também é menor, variando bastante o tamanho que pode atingir cheio.

Lu: A cicatrização tem que fases? Quando estará completa?
Dr.: Os primeiros 7 dias são os mais críticos – nada está colado de verdade. De 7 a 15 dias, já está com uma “cola”, mas que pode soltar facilmente. De 15 a 30 dias, a “cola” está bem firme, mas a cicatrização ainda não é completa – Somente com 30 dias estará 100%.

Lu: Porque colocaram dreno? Vi vários pacientes no hospital, que fizeram até cirurgias mais complexas, sem dreno.
Dr.: Por precaução – além de drenar o sangue, evitando infecções e outros problemas, o dreno também permite detectar, muito rapidamente, a existência de fístulas, pela coloração do líquido que sai. Muitos médicos acham desnecessário esse procedimento – dizem inclusive que podem detectar as fístulas somente pelo quadro clínico (o que de fato acontece, mas pode demorar mais). Eu prefiro ser precavido, TODOS os meus pacientes saem com dreno, mesmo quando a cirurgia é tranquila e perfeita.

Lu: (depois de retirar o dreno) Nossa! Fiquei impressinada como dreno é comprido! (mais de 20cm dentro do corpo)
Dr.: Sim, é comprido pois ele precisa chegar até o estômago.

Lu: Porque o dreno não dói?
Dr.: Quando você faz um furo e rompe totalmente a pele (chegando ao interior do corpo), se fizer corretamente, romperá as terminações nervosas, assim o paciente não sente dor.

Lu: Posso tomar banho e molhar o “buraco” onde estava o dreno? (lembrando que, ao retirar, fica o furo onde não é dado nenhum ponto, somente coberto com gase e esparadrapo microporo)
Dr.: Pode sim. Pode molhar bastante, sem medo… Não vai entrar água lá dentro pelo furo, pode ficar tranquila! Ah, e lembre-se de não tomar sol nas cicatrizes – fica bem feio.

Lu: Porque recebi alta depois de 2 dias de internação, diferente de 1 dia, como a maioria dos pacientes que operaram no mesmo dia que eu, por outros médicos?
Dr.: Por pura e simples precaução. 1 dia a mais no hospital não fará uma diferença absurda na sua vida, mas é uma segurança a mais para você – medicamento na veia, acompanhamento médico, das enfermeiras, nutricionista, fisioterapeuta… Em casa você não teria nada disso, além de perder a vantagem de já estar no hospital, no caso de surgir alguma complicação. Novamente, é somente um zelo adicional, uma opção que varia de médico para médico.

Lu: Até quando usar a meia de compressão? Usei por 3 dias full time, depois o resto só para dormir. (a pergunta foi feita com 7 dias)
Dr.: Varia de paciente para paciente. Você já pode parar de usar completamente.

Lu:  Mas a perna parece um pouco inchada, isso não é problema?
Dr.: Não, é normal. Esse efeito deverá diminuir muito nos proximos 7 dias (completando 15 da cirurgia) e não tem a ver com riscos de trombose. Pode parar de usar as meias mesmo.

Lu:  Até quando fazer respiron?
Dr.: O período obrigatório é somente o de internação (2 dias). Mas, se continuar fazendo, obterá benefícios para você, independente da cirurgia.

Lu:  Nutri mandou tomar vitaminas, o médico na alta mandou tomar a partir do 9o dia. Preciso até quando, já que não há desabsorção?
Dr.: Na verdade, há desabsorção sim, mesmo não tendo sido alterado o intestino/duodeno. Existem algumas substâncias que são produzidas pelo estômago e que seguem junto com a comida para o intestino, facilitando a absorção de algumas vitaminas e nutrientes. Com a diminuição dessas substâncias, pode ser que você venha a ter alguma deficiência vitamínica sim, então terá de acompanhar isso com a nutricionista e tomar suplementos, conforme necessário. Alguns pacientes, mais a longo prazo, precisam somente de exames anuais, onde determinam se está tudo bem e o que é preciso mudar na dieta, ou repor através de suplementos. Lembrando que isso é somente porque você não alterou o intestino – quem altera OBRIGATORIAMENTE precisará tomar suplementos, por toda a vida.

Lu:  Cetoprofeno já acabou, está certo?
Dr.: Sim, o período crítico de cicatrização (e complicações) acaba em 7 dias.

Lu: Quais efeitos da cirurgia devo sentir? Não tem dumping, será só dor e sensação de estar cheia, quando comer demais?
Dr.: Isso mesmo. Na gastrectomia vertical não há dumping, somente dor ou desconforto quando você comer além da capacidade do seu estômago. Mas cuidado, no primeiro mês você também pode romper os pontos!

Lu: É normal ter tido tantas dores colaterais – lombar, tendinite, costas?
Dr.: Sim, mas não pela cirurgia ou inflamação decorrente dela – as maiores causas são: falta de movimentação, ficar sempre na mesma posição e o emagrecimento em si, pela perda de massa magra. Tendinite não tem relação com a cirurgia e a dor dela não deverá ser intensificada por causa da cirurgia.

Lu:  Estou com muitas dores nas costas e pescoço – devo buscar fazer fisioterapia, ou algo assim?
Dr.: Não é preciso – a maior parte das dores sumirá conforme você puder se movimentar mais, principalmente a partir do 15º dia.

Lu:  É normal não sentir dores diretamente da cirurgia?
Dr.: Sim, quando tudo corre bem, as dores da cirurgia ocorrem mais no período de internação, quando você está tomando remédios na veia, como Tramal e Dipirona. Tudo isso reduz e até elimina as dores internas.

Lu:  É normal ter tantos gases? Por quanto tempo?
Dr.: Sim, absolutamente normal. Deverão diminuir bastante até o 15º dia.

Lu: (rindo) Como é possível fazer cocô com dieta só líquida?
Dr.: Pode parecer que não, mas uma dieta líquida também tem resíduos. Além disso, algumas secreções do próprio corpo, como a bile, geram resíduos. É normal fazer cocô! (risos)

Lu: Acho que minha recuperação está boa demais… isso é normal?
Dr.: Sim, na gastrectomia vertical isso é muito comum, os pacientes ficam bem, sem aquela “cor amarelada” de pessoa operada, sem feição abatida. Costumam ficar muito dispostos também. A maioria dos pacientes que ficam mal por mais tempo, são os que fazem as cirurgias mais complexas, como Bypass e Capella. (nota: sempre considerando cirurgias via videolaparoscopia. As abertas geram recuperação complicada em TODOS os métodos)

Lu: Posso mesmo começar a dieta pastosa nos 15 dias? Não há riscos?
Dr.: Pode sim. E se tudo continuar bem, em 30 dias pode começar com sólidos macios, conforme sua nutricionista orientar.

Lu: Posso tomar banho de mar, piscina, banheira?
Dr.: Piscina e banheira sim, após os 15 dias. Mar, somente após 30 dias – a água é muito suja!

Lu:  Posso fazer massagem que aperte as costas na altura do estômago, agora com 7 dias de operada?
Dr.: Pode sim, exceto aquelas em que alguém sobe nas suas costas.

Lu:  Posso fazer alongamento?
Dr.: Sim, pode.

Lu:  Posso fazer esforço na região (exercícios, peso)
Dr.: Não – por segurança, é preciso esperar 30 dias, para a cicatrização estar completa.

Lu: E sexo?
Dr.: Mesma regra dos exercícios físicos – se for gerar peso ou esforço na área da barriga, somente após 30 dias. Muitos liberam com 15 dias, mas a cicatrização NÃO está completa com esse prazo, melhor esperar.

Lu:  Andar de bike, patins e moto?
Dr.: Somente com 30 dias.

Lu: Academia e outros exercícios mais prolongados?
Dr.: Idem, 30 dias.

Lu: Trabalhar na oficina, com possibilidade de inspirar pó de madeira (usando máscara, claro)?
Dr.: Melhor aguardar os 30 dias.

Lu:  Qual o próximo passo?
Dr.: Retorno comigo em 15 dias (cirurgião) e acompanhamento com a equipe, principalmente nutricionista.

Primeiro marco atingido!

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Postado por Lux em: 09-11-2013

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Quando operei, estava na casa dos 120+

Hoje, voltei pra casa dos 110+!!!

O método cirúrgico que eu escolhi é o que proporciona emagrecimento mais lento, então não esperem ver uma perda de 30Kg em 2 meses. Eu não espero!

De toda forma, no momento a média de perda diária é de 0,6Kg – um valor absolutamente agressivo, ao menos na minha opinião. Em 7 dias sairei da dieta líquida e entrarei na pastosa/cremosa, o que provavelmente diminuirá esse número, claro…

Hoje o que como é, basicamente:

  • 8h – 150ml de Chá de ervas (pode usar adoçante, mas em geral não uso)
  • 10h – 150ml de Suco de frutas (tenho tomado suco light ou zero de caixinha, pela praticidade, diluído em água de côco – 1 parte de suco para 3 de água de côco)
  • 12h – 250ml de Caldo de Frango, misturado com Caldo de Legumes. A receita dos caldos (dá para várias porções) é: 500g do ingrediente principal (peito de frango sem pele ou legumes), 1 cebola, 1 tomate, 2 dentes de alho (não tenho colocado), 1 talo de salsão (tenho colocado bem mais), 1 pitada de sal
  • 14h – 150ml de gelatina diet (tenho substituído por suco de frutas, por que acabou a gelatina e me enrolei pra comprar mais)
  • 16h – 150ml de gatorade ou água de côco
  • 18h – 250ml do Caldo de Frango, misturado com Caldo de Legumes
  • 20h – 250ml de suco de frutas ou gatorade ou água de côco
  • 22h – Deveria tomar 150ml de chá de ervas, mas em TODOS os dias pulei esse item por estar exausta e já dormindo

Obs.: cada porção diluída em de meia hora a 1 hora, não dá pra engolir em 5 minutos como eu fazia antes (e nem devo fazer isso).

Fazendo um belo de um chute, acredito que as perdas de peso serão, aproximadamente:

  • Próximos 7 dias, a 0,6Kg/dia = 4,2Kg
  • Próximos 15 dias, em dieta pastosa, a 0,4Kg/dia = 6Kg

É preciso lembrar que, por todo este período (primeiros 30 dias), estou PROIBIDA de fazer exercícios físicos. Qualquer coisa mais intensa que alongamentos, está off the chart. Então CLARO que depois dos 30 dias, quando entrar a dieta sólida (se tudo der certo!), ao mesmo tempo tenderei a perder menos (valores irrisórios, seguindo a tendência atual), mas por outro lado perderei mais, pois terei maior gasto calórico que hoje – quase que totalmente em repouso, exceto por caminhadas.

Enfim, se tudo der certo, terminarei os 30 primeiros dias da cirurgia baixando MAIS UMA DEZENA, e partindo para a casa dos 100+. Vantagem adicional: já fiz as contas e, assim que baixar de 110,2Kg, irei para a a faixa de 35 a 40 de IMC (obesidade tipo II, e não III, que é a considerada obesidade mórbida). U-hu!

Será que consigo?

Primeiros dias pós cirurgia

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Postado por Lux em: 06-11-2013

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Tá, eu sei que ainda não contei sobre como foi a cirurgia, mas esse será um post longo e, bom… Estou com preguicite no momento. Vou somente resumir os prós e contras desses primeiros 6 dias pós cirurgia – 2,5 no hospital, 3,5 em casa:

Prós:

  • Zero fome. Sério, nadica de nada, se não prestar atenção no plano que fiz para controlar tudo que tenho de fazer, não comeria nada, simplesmente
  • Já eliminei 4Kg! Sim, 6 dias e 4Kg :)
  • Zero dores crônicas decorrentes diretamente da cirurgia – tive dores de gases, incômodos, dores musculares… Mas o dreno, os pontos e, aparentemente, o estômago, simplesmente não doem.
  • Zero ânsia de vômito. Não sei se é porque estou seguindo a dieta líquida rigorosamente, ou se dei “sorte”.

Contras:

  • O dreno incomoda muito. Não dói, nem dá trabalho, só realmente incomoda (principalmente impedindo deitar de bruços e do lado onde ele está)
  • Tive uma dor lombar terrível, decorrente do período que fiquei internada. Foi péssimo e durou uns 2 dias
  • Parece que qualquer dor secundária atinge proporções horríveis – ontem tive a pior crise de tendinite da minha vida, hoje ainda estou sequelada. Será que é meu corpo comendo massa magra (e por isso, causando dores musculares), ou somente as horas de minesweeper que joguei em uma noite de insônia? Li vários relatos de dores crônicas nas costas de operados. Saberei com o tempo qual é o meu caso.
  • Simplesmente não é possível engolir um grande gole de uma vez – dói tudo, incomoda tudo, vários *burps* percorrem meu corpo. Consigo engolir comprimidos, até mesmo dos grandes, mas o líquido precisa ir bem devagarzinho. É chato, mas é ótimo – é tudo que eu precisava, ser obrigada a comer devagar.
  • Frio nunca foi assim tão frio. Quem me conhece sabe que sempre adorei frio – é normal me ver de bermuda ou vestido em frios consideráveis – mas hoje, com um friozinho mediano, estou tremendo, mesmo agasalhada até o pescoço. Suponho que seja culpa da falta de calorias.
  • É um saco ficar o tempo todo bebendo algo. Lembrar de fazer isso.
  • Também é um saco preparar os caldos e sucos – são fáceis de fazer, mas mesmo assim chatos de fazer.
  • Por fim, é meio complicado e chato planejar e acompanhar tudo que é preciso fazer em um dia – como sou gerente de projetos, já inventei meu método – uma planilha diária no Google Drive. Abaixo, uma imagem com um dia ainda não iniciado:

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Cirurgia Bariátrica – Decidi Fazer!

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Postado por Lux em: 05-11-2013

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Não vou começar dizendo que “luto contra meu peso há duas décadas”, pois não é exatamente verdade. Sim, tenho um peso que pode, facilmente, ser considerado exagerado, há uns bons 20 anos. Pesar mais de 100Kg, com somente 1,66m de altura, pode parecer obsceno pra muitos, mas a verdade é que sempre me senti bem, namorei, viajei, fiz esportes, fui à praia, usei roupas decotadas e saias curtas. Não fico mal com 100Kg!

Admito também que não cheguei a ter problemas de saúde diretamente relacionados ao peso – não tive pressão alta, não cheguei a ficar pré-diabética…

Meus únicos problemas são, as vezes, dores nas juntas, cansaço exagerado ao fazer atividades físicas, com grande tendência a lesões (sim, o sobrepeso atrapalha nesse sentido), uma autoestima levemente abalada, quando sem roupa (porque com roupa, sempre achei que estava ótima), e coisas “não críticas” como essas.

Há uns 10 anos ultrapassei a linha dos 110Kg e, de lá para cá, só aumentei. Cheguei a 125Kg! Nesse ponto, me senti mal. Fiquei feia, na minha mente parecia uma tia meio acabada (e tenho uma ou duas fotos que representam isso perfeitamente). Comecei a me desgostar, comecei a colocar um monte de impecilhos para me envolver de verdade com alguém… Cheguei a fantasiar que viveria isolada do mundo, trabalhando e me divertindo no meu apartamento, pedindo quase tudo em delivery. Ahh cabecinha oca!

No final de contas, ao longo desses últimos 10 anos fiz duas dietas (sim, na minha vida INTEIRA só fiz duas dietas). Perdi uns 20Kg em cada uma delas, mantive por mais ou menos 1 ano, recobrei tudo e mais um pouco no ano seguinte.

A última, foi no ano passado. Cheguei a 103Kg! Estava me sentindo ótima, ansiosa por quebrar a marca dos 100Kg – que não ultrapasso há 20 anos! Mas novamente, fracassei. Descuidei, descontrolei, engordei. Quando decidi voltar a cogitar a cirurgia (já havia feito algumas consultas, há uns 5 anos), estava com 113Kg. No momento da operação, tinha 126Kg.

Enfim, porque escolhi operar?

  • Estou cansada de não conseguir MANTER o que conquisto com dietas e exercícios – Dizem as estatísticas que a média para recobrar o peso original (nos casos onde isso acontece, que são menos de 50% – estudos discordam, mas a maioria fala em 30%), é de 15 anos. Está bom pra mim.
  • Quero muito ultrapassar a marca dos 100Kg – é um marco enorme, será uma gigantesca conquista – Novamente, dizem as estatísticas que, dependendo do método cirúrgico, somente de 10% a 30% dos pacientes voltam a ser obesos mórbidos. Em alguns métodos, há até um percentual inverso – 4% que emagrece demais e tem problemas de saúde por isso.
  • Comer não tem sido mais o mesmo prazer de antes – não tenho culpa, mas não morro mais por alguns pratos que me deixavam louca (exceto coxinha de frango, delícia pura). Como por impulso, mas não em momentos de ansiedade ou depressão – é um hábito, um vício, uma droga que causa síndrome de abstinência, mas já não dá muito prazer. Não tanto como deveria, para justificar os males que traz.
  • Não consigo comer devagar, mastigar 1000x. Qualquer barulho, qualquer distração, me faz engolir automaticamente o pedaço que está sendo mastigado. Dizem a maioria dos ex-pacientes, que como dói quando você engole com pressa, você acaba conseguindo dominar esse impulso (com o tempo a dor passa, é preciso reeducar fortemente no primeiro ano).
  • Dizem que a cirurgia praticamente elimina a fome e, dependendo do método, traz a famigerada sensação de saciedade, com uma velocidade absurda. Pois bem, sei o que é me sentir cheia, portanto quando é hora de parar. Já a sensação de “já comi o que precisava, estou satisfeita”, aconteceu pouquíssimas vezes na minha vida. Sem muito medo de errar, diria que posso contar nos dedos das mãos…

Com tudo isso em mente, decidi operar. Comecei a me consultar em uma clínica de São Paulo, Gastromed. Precisei fazer diversas consultas e laudos com inúmeros profissionais:

  • Psicóloga – o laudo é feito em uma média de 5 sessões. O recomendado, no entanto, é continuar as consultas depois da cirurgia. Ajuda muito.
  • Nutricionista – uma consulta, em geral, basta. Ela é quem calcula seu IMC e, considerando demais riscos (por exemplo, diabetes), recomenda a cirurgia. O papel da nutri é muito importante por um motivo: dependendo do seu hábito alimentar, da sua relação com a comida, pode ser indicado um tipo de cirurgia diferente. Todos os profissionais podem ajudar a gente a escolher o melhor método para nós, mas como a causa do problema é a comida, procurem uma nutri especializada em pacientes bariátricos. Dica preciosa, ok? (a minha tem os dois pais operados)
  • Cirurgião – no meu caso, o médico que “orquestrou” o processo de aprovação e decisão da cirurgia, foi o próprio cirurgião. Sei que em algumas clínicas, é um médico especialista em obesidade, mas que não necessariamente vai te operar. Não vejo vantagens nem desvantagens em uma ou outra escolha – recomendo somente que você encontre um cirurgião que explique tudo nos detalhes, e em quem você sinta confiança total.
  • Endocrinologista – o laudo do endócrino é opcional – o cirurgião decide se precisa ou não receber. O meu quis, então fiz – o propósito é checar se você tem algum problema endocrinológico que possa interferir na cirurgia, ou como causa não tratada (vai operar porque, se o seu problema é um hormônio ou falta de vitamina X?), ou como impedimento ou complicativo para a cirurgia (por exemplo, diabetes). O laudo do endócrino pode também determinar uma urgência para a cirurgia.
  • Cardiologista – É um laudo simples, do tipo que pegamos para fazer academia ou qualquer outra cirurgia. No meu caso, fiz 2 exames: Ecocardiograma com Doppler e Teste Ergométrico (aquele da esteira). Claro que as pessoas que tem problemas cardíacos terão uma saga bem maior com o cardio – afinal tomar anestesia geral, ser entubado e fazer cirurgia em um paciente cardíaco… Pode ser o fim da linha!

No meu caso, essa “saga” toda acima, demorou quase 6 meses. Sim, tudo isso! O motivo é simples: como é uma decisão muito importante na minha vida, preferi fazer com toda a calma do mundo, dando tempo pra voltar atrás, pra pensar melhor…

Dizem que alguns pacientes conseguem todos os laudos em 15 dias (quando é cirurgia de urgência) e em uns 45, quando é cirurgia normal.

No final, de contas, há duas situações onde seu plano terá de aprovar a cirurgia, faltando somente escolher qual o método:

  • IMC acima de 40 – o meu sempre esteve perto de 41, mas no período pré-cirurgico, onde “chutei um pouco o balde”, chegou a mais de 45. Se você está nessa faixa, o plano tem de aprovar e ponto final.
  • IMC acima de 35 – se você estiver acima de 35 e abaixo de 40, o plano só será obrigado a aprovar a cirurgia SE você tiver alguma condição de risco associada – por exemplo diabetes ou pressão alta. Ainda assim, é passível de análise, então muitos planos tentam sair pela tangente… (o que deve ser respondido com pressão e ação judicial, afinal é direito do paciente ter a cirurgia como tratamento, há leis e regras quanto a isso).

…e se o plano não for obrigado a aprovar, recomendo refletir profundamente – se o seu IMC está abaixo de 35, você realmente NÃO precisa de cirurgia. Pense nisso. No máximo, poderia colocar um balão por 6 meses (falo mais sobre isso abaixo)

Já se você está nas faixas acima, mas não tem plano, ou seu plano não cobre o hospital e médico que você escolheu, prepare-se para pagar:

  • De R$ 3000 a R$ 5000 pra equipe de cirurgiões (no meu caso foram dois cirurgiões, existem alguns que operam sozinhos)
  • De R$ 20000 a R$ 35000 pela cirurgia por videolaparoscopia, incluindo 2 dias de internação
  • Lembre-se que poderão haver complicações, UTI, etc!!!
  • Para os laudos, a média de preços de consultas fica em R$ 150, para nutricionista e psicóloga, e R$ 300 para demais profissionais.
  • Tem todos os exames, que não faço ideia de quanto custam

Além dos custos pontuais dos laudos e da cirurgia, é preciso lembrar que:

  • Se você tiver sucesso, vai gastar muito menos com comida, mensalmente.
  • Dependendo da cirurgia que escolher, poderá precisar tomar vitaminas para o resto da vida (sério!). O custo mensal é, em média, R$ 120,00.

Com tudo isso em mente, faltava só decidir o método cirúrgico. Com tudo que aprendi nesses meses todos, diria que posso resumir as indicações conforme os argumentos que realmente importam:

  • Você come em grande quantidade, mas sem fixação por estar o tempo todo comendo, nem por um ingrediente em especial? Recomendo Gastrectomia Vertical.
  • Você come em grande quantidade, o tempo todo (o impulso de comer é irresistível)? Recomendo Scopinaro.
  • Você come em quantidade grande, mas não sempre exagerada… mas tem alguns vícios específicos (como chocolate e frituras)? Recomendo Bypass/Capella.
  • Possuiu comorbidades, como diabetes e pressão alta? Provavelmente o ideal é Bypass/Capella, ou Gastrectomia Vertical com Alça Duodenal.
  • Você não tem 35 de IMC ou tem muitos riscos cirúrgicos? Recomendo Balão Intra Gástrico.

Existem muitos motivos para chegar nessa recomendação acima, explico alguns abaixo:

  • O “fundo do estômago” produz um hormônio chamado grelina. É o dito-cujo responsável por dizer ao cérebro “estou com fome!”… Quando esta parte do estômago é removida, o hormônio é reduzido drasticamente – então mesmo que seu estômago esteja vazio, você não sente fome (posso atestar isso, agora que operei)
  • Várias das cirurgias podem ter um anel na entrada do estômago – o anel serve pra impedir que entre muita comida de uma vez, o que não só ajuda você a não exagerar e engordar, mas também protege o estômago operado de receber uma quantidade de comida que pode ser perigosa para sua vida. Dizem que esse anel dá muito refluxo – e refluxo é simplesmente horrível… Só para constar, a cirurgia mais feita em todo o mundo é o Bypass em Y de Roux. No brasil, é a tal da Fobi-Capella que, cá entre nós, é exatamente o Bypass, mas adicionando o anel.
  • Mexer ou não mexer no intestino? No Bypass ou Capella, não tem como fugir – o intestino é 50% da operação. Não há escolha. Já na gastrectomia vertical, podemos escolher – a verdade é que, em todo o mundo, ela é feita sem mexer no intestino. Aqui no Brasil, um médico inventou uma técnica complementar, que cria uma alça no duodeno (intestino), para ter o efeito de saciedade mais rápido. Na Gastromed fazem essa opção, pois o médico que inventou é dono da clínica, não sei dizer se outros médicos fazem também. Enfim, decidir se fará ou não essa alça é essencial, pois, se você decidir fazer, precisará repor vitaminas por toda a vida. Se não mexer, não precisa. Além de aumentar a velocidade da sensação de saciedade, essa parte do intestino também é a que faz você absorver menos do que come (então emagrece mais) e curar diabetes… Então se este é o seu caso, de ter o que eles chamam de comorbidades pressão alta, diabetes – pode ser que seu médico recomende Bypass ou Capella.
    Errata: aprendi no mês seguinte a cirurgia que, mesmo quando não alteramos o intestino, pode ser sim preciso repor vitamínas por toda a vida, pois o suco gástrico e o hormônio grelina ajudam a quebrar/absorver alguns nutrientes e vitaminas. Além do que comemos muito menos, então alguma vitamina pode não ser suficiente através só da comida. Varia de caso para caso, mas não é certeza de que ficarei livre de repor vitaminas. Achei importante “remendar” o texto, citando isso.
  • Riscos a longo prazo – Se você fizer o que eles chamam de técnica de desabsorção (mexer no intestino), precisará controlar a reposição de vitaminas rigorosamente, pro resto da vida. Se não fizer, poderá chegar a níveis de deficiência vitamínica irreparáveis (pelo que aprendi, é mais ou menos como diabetes – chega num ponto onde o organismo “dá um tilt” e não consegue mais lidar/absorver aquela vitamina – então precisa controlar para que nunca chegue nesse ponto. Outro ponto que é pouco falado, é que nas técnicas de Bypass e Capella, você terá uma complicação enorme para diagnosticar câncer  na parte do estômago que ficou separada do esôfago (onde nunca mais entra comida). Simplesmente porque não há como fazer uma endoscopia/biópsia ambulatorial – só dá pra “ver” ou analisar o que ocorre lá dentro com cirurgia invasiva, anestesia geral, etc. O que os médicos me falaram é que, hoje, sabe-se que a maioria dos casos de câncer nessa parte do estômago acabam sendo descobertos somente quando já há metástase – ou seja, quando já não há mais muita chance de tratar e sobreviver. A chance é pequena, mas é algo para se pensar, certo?

Considerando então as minhas peculiaridades e hábitos, escolhi fazer a Gastrectomia Vertical sem alça duodenal. Isso significa que:

  • Meu intestino não será alterado, então a absorção dos alimentos e vitaminas continua igual
  • Por esse motivo, não terei aceleração da sensação de saciedade, através de hormônios do intestino (pois o alimento chegará no meio do intestino, onde são produzidos esses hormônios, na velocidade normal, não acelerada)
  • Não terei nenhum tipo de anel, diminuindo chance de refluxo
  • Não terei a famigerada “sindrome de dumping”, comum no Bypass e Capella
  • E por fim, a parte que importa: meu estômago estará pequenininho e sem a parte que produz o hormônio da fome
  • Esse é o método cirúrgico mais simples de todos, então minha recuperação também será mais rápida e menos dolorida

A expectativa é que eu tenha o mínimo de impacto sobre minha saúde, e que meu corpo aceite e peça menos comida. Somente isso. Como que uma dieta forçada!

Essa cirurgia tem alguns riscos / implicações:

  • Se eu reengordar, não posso mais mudar de ideia e querer fazer Bypass ou Capella – a parte secundária do estômago não existe mais e, por isso, é impossível fazer o Bypass
  • Posso ainda fazer a alça duodenal, como técnica complementar, caso ganhe muito peso novamente
  • Se eu for aumentando a quantidade de comida gradualmente, o estômago vai dilatar novamente, o que me fará engordar – precisarei ter disciplina e reeeducar de verdade, do contrário vou falhar (quem altera o intestino tem um risco muito menor disso, primeiro porque a saciedade vem super rápido, depois porque muito do que você come simplesmente não é absorvido)

…e agora chegamos ao ponto onde eu marquei a cirurgia, para 01/11/2013.

Contarei em breve como está sendo!