Post Aleatório . 13-04-2012

Mais uma corujinha linda : )

Daqui: http://comoeumesintoquando.tumblr.com/ (não estou linkando para o post original, pois o texto / título não tem nada a ver, só achei a coruja linda : ) Share this:EmailFacebookGoogleTwitter

+ Leia na íntegra

Quando o errado é certo

Categorias: Terapia

Postado por Lux em: 11-07-2016

0

Há meses não apareço aqui. Há meses não apareço no divã do meu analista. Pausei a coisa toda – exceto os remédios. Tirei férias das preocupações, saí conhecendo gente, música nova, lugares, tendo experiências novas e resignificando experiências antigas.

Foram férias mais que merecidas.

Há tempos, nada me motivava. Isso mesmo – nada me dava uma vontade real de ir atrás – nem meus hobbies, nem pessoas, trabalho, entretenimento… Estive em banho maria esse tempo todo, sentindo que sempre pisava em ovos, com medo de correr, de arriscar, de quebrar a porra toda. Não consegui me apaixonar por ninguém que esteve comigo nesse período – tive boas experiências, conheci pessoas legais… mas rapidamente, a vontade que tinha era a de fugir. E como fugi!

Vivi de análise. De reflexão. De redescoberta e autoconhecimento. Essa era a minha motivação. Aprender e reescrever meu manual de utilização. Em algum momento, perdi a paciência, a motivação… Não queria mais entender, queria somente viver. Mas a vontade de viver não vinha.

E agora, do nada… aparece alguém que consegue me inspirar a fazer coisas. Que me dá vontade de estar junto e de ser alguém melhor. Não sei se estou apaixonada, ou apaixonando. É tudo novo (e isso é ótimo). Só sei que estou curtindo. Estou vivendo!

Hip Hip Hooray!!!

Menina, q-u-e – l-e-g-a-l! Está tudo ótimo! Porque então esse título de errado que é correto?

Explico. Me permiti conhecer alguém que me disseram que não prestava. Me permiti envolver mesmo com medos. Tudo pareceu errado, a princípio… Meu momento, o ritmo… Mas em todos os momentos me senti bem, senti que estava certo. E aí, racionalizo ou deixo a coisa toda fluir?

Finally, I’m going with the flow!
(e nem está doendo. Ao contrário, está delicinha!)

Sim, simples assim. Dane-se se é certo, errado, diferente… Eu quero viver. Posso?
Estou perguntando pra mim mesma, não pra você, tá?

Posso. Devo. Vou.

Se for pra quebrar a cara, que seja. Esse post não é sobre isso. Sobre um carinha novo, sobre paixonites… Esse post é sobre eu me dar ao direito de remover uma camada da minha grossa armadura. É sobre o direito que todos têm de ser felizes – eu, sim… eu tenho direito de ser feliz. Agora. Não amanhã. Não depois de cumprir certas premissas. A-G-O-R-A.

* medo *

Ex fabricado na China

Categorias: Terapia

Postado por Lux em: 21-09-2015

0

Quer uma dica de quem se ferrou na mão de um ex namorado (enquanto atual, claro)?

  • Não ache que porque você é experiente que sabe tudo. Cada pessoa flui de uma forma diferente. Algumas simplesmente não fluem. Podem fluir com outras, se não flui com você, tchau.
  • Não ignore os conselhos de pessoas que conhecem o fulano – se muita gente acha que é maluco, acredite, há algo ali. Onde tem fumaça, tem fogo. Você só não pode assumir qual será o tipo ou tamanho do fogo.
  • Desconfie quando tudo parece bom demais. Nada é. Ninguém é. Você provavelmente está sendo manipulada ou criando uma ilusão. Não importa se é você ou ele que está te enganando, vai dar em caca.
  • Desconfie quando a pessoa te quer mais que tudo, mesmo sem te conhecer. É bem provável que essa pessoa vá te ver e tratar como objeto por todo o relacionamento, por mais que diga o oposto.
  • Sexo é uma troca – se não engrena da primeira vez, não assuma que o problema é você. Assuma que o problema são vocês e pule fora.
  • Nunca seja um amálgama ou massinha que se adapta ao formato do outro, que preenche o outro. Nem deixe que o outro faça isso por você. Com você. Conformidade ativa versus Inconformidade inativa. Diria pra pesquisar mais sobre isso, mas não está nos primeiros links do Google.
  • Se não está feliz, ativamente, está anestesiada, no piloto automático, ou além do ponto sem retorno. Pare. Desça no meio da estrada.
  • Desconfie quando a pessoa teve uma infância muito difícil. Ainda mais se também teve o resto da vida difícil. Batalhar na vida é bom, mas certos vasos quebrados continuam lascados por toda a vida, e é você que vai se cortar nele.
  • Isso vale para a vida em geral: se a pessoa diz A, mas faz B, pule fora.
  • Muitos caras que se dizem feministas e dizem amar demais as mulheres são, na verdade, misóginos. Note se ele deixa você falar (e realmente te escuta), note se sua opinião importa sobre coisas não práticas (ou seja, questões importantes, e não o que ele vai vestir hoje, onde vão amanhã). Note se faz o mesmo com outras mulheres comuns (sem credenciais especiais), como namoradas de amigos.
  • Só ele quer falar? Só o que ele fala é certo? O mundo todo está errado? Discurso de ódio o tempo todo contra tudo e todos? Pule fora.
  • A pessoa já teve (ou tem) um quadro psiquiátrico qualquer (depressão, algum transtorno) e ignora o tratamento indicado (não toma os remédios, por exemplo)? Pule fora. Vai sobrar pra você.
  • Quando a pessoa claramente quer te controlar, pule fora. Ninguém merece isso.

Sinto como se tivesse namorado com um carro top fabricado na china. Tinha todas as melhores features, mas o pedal entorta quando você pisa, o sensor de ré só detecta o outro carro quando você bate nele, e a central multimídia só reconhece dispositivos com Windows Phone. Possuir certas qualidades não garante que elas funcionem direito. Se a pessoa não funciona direito, o que pode sair dali?

Completando a analogia, eu fui um objeto, um crash test dummy. Fiquei lá rigida, em posição de teste (que teoricamente é perfeitamente encaixada, a massinha), até que o fabricante decide: ah, o carro está perfeito, não vamos fazer o teste. Tira esse boneco daí.

Fui um objeto e me resignei a isso.
Estava ruim e me enganei, dizendo que estava bom.
Fiz parecer bom.
Quando piorou e eu quis parar, quis morrer e disse pra mim mesma que era amor.
E quando me convenci que era amor, fui descartada.

Sair, cair, foi o que me aconteceu de melhor esse ano. Talvez, na vida.
Estou reavaliando tudo e colocando em ordem meus pensamentos, sentimentos, emoções. 

Já me sinto feliz novamente. Quero viver. Quero errar.

Mas, cá entre nós, estou farta de loucos. 

 

Narcisismo

Categorias: Terapia

Tags: , , , , , , ,

Postado por Lux em: 09-09-2015

0

11951906_10205162036558803_1590053733478829532_n

…aparentemente sou uma mega narcisista. Mas não, não desse jeito que você deve estar pensando – de que me acho a bolacha mais gostosa, bonita ou inteligente do pacote. E sim, porque assumo toda a responsabilidade sobre tudo, no mundo próximo (culpa por fracassos, méritos por sucessos, esforço e dedicação nas mudanças). Não consigo atribuir a culpa ao outro. Cobrar o outro. Acusar o outro. Mas consigo atribuir méritos, elogiar, apoiar.

Isso é narcisismo sim, achar que o mundo (mesmo que seja só a parte ruim) gira em torno do meu umbigo.

Assim, vivi situações terríveis, tentando consertá-las sozinha. Quando devia ou ter pulado fora, ou dividido a culpa. Até com sociopata já lidei. E fiquei tentando enxergar como eu poderia fazer aquilo funcionar. Lixo, do tipo bem tóxico.

Como combater? Simples – agora a culpa é toda de vocês. Até eu aprender como é o equilíbrio disso tudo, vou viver o outro extremo um pouco só pra ver como é. Vocês são todos culpados até que se prove o contrário.

Status Update

Categorias: Terapia

Tags: , , , , , , , ,

Postado por Lux em: 26-08-2015

0

Tô liberada pra voltar a andar de moto, com calma, mas já posso :)

Estou começando a conseguir focar nas coisas (aka ler livros, assistir filmes e séries, ouvir música, trabalhar). Olha só, 50 dias de tratamento pra conseguir ver um filme!

Redescobri prazer em algumas coisas bobas e inusitadas.

Estou abandonando meu lado pragmático e virando alguém que, assumidamente, não sabe nada, não conclui nada (exceto no trabalho, claro).

Devo evitar novos compromissos e qualquer tipo de responsabilidades desnecessárias (sorry ppl, mas qq coisa que possa gerar cobrança, expectativas ou stress, no momento, está totalmente fora de questão).

Plano de vôo (remédios e terapia) do meu tratamento segue em frente inalterado, pq está funcionando. Basicamente, como postado recentemente, #BluePill, #Esctasy e o remédio baixado via #Torrent.

Os riscos de efeitos colaterais são só episódios maníacos e insônia crônica (quase nada), mas acredita-se que não vá rolar.

Full force ahead.

#LuluxNaTerapia

P.S.: Ontem deu vontade de comer o meu analista com garfo e faca. Eu li em alguns textos que a transferência é saudável, quando o analista sabe usá-la a favor da terapia. Tendo a concordar com essa linha de pensamento, porque tenho aprendido coisas sobre isso, através disso. Vamos ver como isso evolui.

#LuluxNaTerapia – a parte triste

Categorias: Terapia

Tags: , , , ,

Postado por Lux em: 21-08-2015

0

Tenho postado coisas engraçadinhas sobre a minha terapia, no Facebook, com a hashtag do título. Acho bacana compartilhar com pessoas do meu círculo social – próximo ou não – as trapalhadas desse processo de análise. É, no mínimo, cultura geral.

Agora, estou me debatendo com uma parte ruim do tratamento – parece que novamente estou tendo efeito colateral de um remédio e, possivelmente, precisarei trocá-lo.

Estou muito triste, irritada, sem paciência, só por esse fato. Não quero falar com ninguém. Whatsapp, Facebook Messenger, Hangouts, Telegram… Tudo sem resposta há dias. Está f***.

Quem notou o efeito colateral nem fui eu – meu analista perguntou se eu tinha dormido bem, se me sentia bem… Como isso tudo estava ok, ele abriu o motivo: meus pensamentos estão muito acelerados, estou passando de um assunto para o outro sem concluir o anterior. Não é nem recomendado tomar decisões importantes nesse estado.

Pra piorar, ontem tive uma noite terrivelmente mal dormida, com insônia crônica (mesmo tomando a porcaria do diazepam).

…E lá vou eu ver se é só uma fase de adaptação à nova dose de venlafaxina, ou se é um efeito colateral com o qual terei de lidar / trocar o remédio. Que droga. Primeira vez nesse processo que fiquei assim, sentindo que algo não é uma evolução. Só quarta terei consulta com o psiquiatra, até lá estou comunicando ele dos efeitos via Whatsapp, e vendo o que fazemos.

Enfim, chateada.

Psycho Therapy – a merda no ventilador

Categorias: Terapia

Postado por Lux em: 14-08-2015

0

shit-hitting-the-fan

Lembrando da música dos Ramones (pelo título do post) e, claramente, em tom de raiva.

Minha terapia é, na verdade, análise. Meu terapeuta, um psicoanalista, com bases em Freud. E está dando bastante resultado. Alguns pontos importantes que já descobri sobre mim (nessa fase dos últimos 2 anos, ao menos), e que não tenho vergonha alguma de assumir:

  • Eu vivo diversos personagens, quem é a Luciana real?
  • Projeto meus anseios e características nas pessoas, e me apaixono por isso (eita narcisismo da p****)
  • Entro em negação quando meu objeto de desejo age de forma contrária à esperada, justificando (e não perdoando) a atitude errada (ou seja, ela não aconteceu)
  • Me desculpo pelo erro dos outros, como se fosse responsável por todo o universo
  • Racionalizo demais tudo e isso atrasa ou até pára meus impulsos espontâneos, me desconectando dos sentimentos reais
  • Quando um sentimento real aparece e é ruim, faço um split-off (pesquise se quiser saber mais)
  • Não enxergo as pessoas e situações como elas realmente são
  • Estou absurdamente mais frágil agora que estou magra – e mais bonita – do que antes de operar
  • Tenho uma voracidade absurda por tudo – que antes preenchia com comida – devoro tudo e todos ao meu redor. Como a reposição não foi a contento, terminei com um monstro de ânsia. Um monstro pelo qual é válido morrer
  • Tento satisfazer essa vontade de tudo focando em uma coisa ou pessoa só – o que é impossível por definição
  • Como posso ser perfeccionista e acreditar que perfeição não existe? E viver num caos?
  • Contradição é meu nome e meu sobrenome

Tem muito mais farinha nesse saco, mas com base na análise (muito do que está aí abaixo já foi discutido lá), já consegui enxergar como foi de fato meu último relacionamento – muito longe de utópico, foi de ruim a péssimo – mas como eu estava sem nenhuma autoestima e me apegando a qualquer lampejo de ilusão, parecia bom:

  • Foi um relacionamento obsessivo desde o dia um. O cara olhou pra mim, por algum motivo me quis, foi pra cima e conseguiu me ter. Toda a atenção que me deu (ou pediu) não foi naquele tom de “oi amor, estou com saudade”, mas sim de “já está na hora de nos falarmos, cadê você?”. Ser atencioso é uma coisa (que eu já tive e acho ótimo), ser obsessivo e dependente é outra (e faz mal, corrói)
  • O cara era quase um misógino e me tratava mal pra caramba, me desqualificando em tudo. Em quase todos os momentos. Eu e quase todas as mulheres da vida dele, com somente uma exceção.
  • Essa exceção recebia todos os elogios do mundo, terminando em “não se preocupe que jamais terei nada com ela, pois temos uma relação profissional”. Ou seja, super incentivo pra minha autoconfiança.
  • Eu chegava de viagem e ele mal me abraçava e beijava, nem na chegada, nem no taxi. Assim que chegávamos na casa dele, se sentava na frente do computador e ficava olhando (e reclamando) pro facebook, as vezes por horas.
  • Não me dava nenhum estímulo nem de carinho, nem de amor, nem de tesão, seja por fala, atitude ou pelos meios eletrônicos – somente respondia ao que eu mandava e, no final, nem mesmo respondia
  • Nunca me abraçou ou me beijou (de verdade, não um selinho) em público. Exceto no dia em que nos conhecemos.
  • Reclamava que eu não iniciava sexo, mas de 4 dias que eu passava lá, ficava 3 sem tomar banho e 80% do tempo ou no facebook ou vendo filme
  • Nunca atendeu um pedido específico meu exatamente do jeito que eu pedi. Como pode o que ele quer ter de ser exato, e os meus pedidos serem ignorados ou distorcidos?
  • O melhor elogio que recebi em meses foi “você é linda, tem o biotipo certo”. Ouvi isso zilhões de vezes. Que m****, eihn?
  • O único outro elogio que eu recebi em todo o tempo juntos foi “Você é gente, não é nem desesperada nem mimada”. Só. Essa é minha qualidade. Claro, obrigada. Estou me sentindo ótima agora.
  • O melhor carinho que recebi foi UMA noite onde ele me abraçou na hora de dormir. Sim, somente UMA vez.
  • Eu era criticada por tudo – por exemplo, porque não o cobri quando ele foi dormir, e assim ele acordou doente… como pude não cuidar dele? (quando o mesmo aconteceu comigo duas vezes e ele nem notou, se preocupou, ou tentou cuidar de mim quando fiquei mal)
  • Quando nos tocávamos, a coisa era absurdamente mecânica, tenho certeza que brochante para ambos. Ele deixou muito claro. Mas pra mim foi muito também. Da primeira até a última vez. Cheio de regras rígidas que, se não cumpridas, faziam com que ele simplesmente perdesse a vontade. Eu devia ter ido embora no primeiro dia, quando me irritei com esse travamento dele e pedi que parasse. Devia ter me mantido firme. E ido embora. Ah, mas a ilusão…
  • E eu achava que era bom mesmo assim, porque projetava nele uma libido que, hoje, eu sei que era minha, não dele. Tanto que se manifestava quando eu estava longe, não perto. Exceto no primeiro dia. Esse foi incrível (e sem sexo).
  • O pensamento dele era muito lento, então qualquer interrupção tirava ele de foco, quando eu ou qualquer outra pessoa adicionava algo ao assunto fazia ele se perder e entrar em loop numa reclamação quanto a interrupção
  • Tinha atitudes absolutamente imaturas – como desligar uma ligação em menos de 30 segundos, alegando que eu estava agindo como adolescente – pois sim, uma pessoa que não argumenta, não ouve, não entende e tudo isso em 30 segundos, claramente está sendo super madura
  • Qualquer coisa que o irritasse, deixava ele em loop nesse assunto por pelo menos duas horas. E isso era diário. Do primeiro dia inteiro que passamos juntos, até o último, sempre havia algo a reclamar. E tenho certeza que ele via uma conexão intelectual fortíssima comigo, simplesmente porque eu apoiava e concordava com ele até ele se acalmar. Mesmo quando eu não concordava de fato. Porque sentia que ele precisava primeiro de cuidado, depois de crítica. E o momento da crítica nunca chegava.
  • Se acha melhor, mais inteligente e mais maduro que todas as pessoas do universo, mas mal sabe fazer um pequeno conserto na própria casa (até faz, mas da pior maneira, e não aceita ajuda)
  • Como ele sabe mais que todo mundo, é arrogante e acha que tudo tem de ser do seu jeito. Explicar um jogo? Te corta e faz do jeito dele. Jogar algo online? Sua estratégia está errada (mesmo que leve a vitória), pois só a dele é divertida (mesmo que leve a derrota). Sair para fazer algo? Só quando ele quer (que é basicamente quase nunca). Tudo do jeito dele. No ritmo dele. Aprisionante. Sufocante. Enlouquecedor.
  • Um cara que não sabe pedir desculpas, mesmo quando provado que está errado. Esses assuntos ele enterra. Mesmo com amigos homens (e talvez principalmente)
  • Se acha maduro, homem, desde os 20 anos de idade… Mas age como adolescente até hoje. Talvez ele se sinta macho porque teve que passar por fases duríssimas na vida. Porque matou pessoas. Porque venceu desafios. Porque não tem algumas frescuras dos caras modernos. Talvez nessas horas tenha sido de fato homem, mas no dia a dia, age como um adolescente mimado, que quer tudo do seu jeito e, quando não é, faz um drama interminável
  • Nunca olhou pra mim de fato. Não me conhece. Não tem ideia de quem eu sou de fato. Nunca se interessou por ler o que escrevo, por ver o que faço, por ouvir o que eu ouço.
  • Pelos estudos de psicologia e comportamento que tem, considero ele extremamente culpado por ter me agredido tanto, sem notar o nível de depressão e desconexão com o mundo que eu estava. Me chamou de adolescente, imatura, babaca. Zilhões de vezes. Justo eu. Não percebeu onde estava o problema. Simplesmente reagiu como uma criança, batendo de frente, ofendendo.
  • Reclamava que TODAS as mulheres agiam igual (inclusive doutrinando o irmão e amigos disso), que são interesseiras, que ficam o tempo todo comparando com namorados anteriores. Só que eu nunca fiz isso. E ele sim, falou de relacionamentos anteriores o tempo todo. Acho que não passou uma semana sem falar.
  • Reclamava da maioria dos caras que conhece também – todo mundo está errado. Com raríssimas exceções (que também recebiam críticas, apesar dos elogios)
  • Só disse exatamente como se sentia (ao invés de tentar comandar minha ação diretamente) quando terminou o relacionamento – tanto em relação a como se sentia no dia a dia, como foi também a ÚNICA vez que disse que era apaixonado por mim. Sim, isso mesmo. Eu disse umas 1000. Escrevi outras tantas. Mandei flores no dia dos namorados. Ele, nada. Exceto quando se afastou
  • Eu dizia (como um elogio) que ele não existia (alegando que era tão diferente dos caras comuns). E de fato, não existia. O personagem do artista de fato só existe quando performa sua mágica. Mas o homem da vida real também é um personagem, bem distante do que é real. Ele vive essa ilusão, eu acreditei nessa ilusão, e ainda projetei minhas adições a ela.

Eu também já enxergo muito porque minha atitude mudou – porque estou mais passiva, porque perdi a libido… Muito tem a ver com o emagrecimento (tanto pela parte biológica quanto pela de identidade e emocional), mas a queda final no fundo do poço foi por eu me entregar a uma distopia, e nomeá-la de utopia. A pior das ilusões. Não me anulei, me matei. E no final, quase morri de fato.

Não vou culpar ninguém além de mim mesma, por isso. O tal cara acima existe, mas já é passado. E eu, no meu presente e futuro, quero viver relações reais – mesmo que falhas – quero ver e ser vista – como sou e como o outro é – e seja lá o que acontecer, vou lidar com isso. To na fase do foda-se – aceitando tudo de novo que aparecer, despreparada, mas interessada.

Não vou por panos quentes nos problemas, vou eliminá-los um a um. Como sempre fiz na minha vida.

Só falei aqui de coisas ruins. Mas tenho zilhões de qualidades.
Sou um amor.
E uma delas, é jamais desistir. No final, eu venço.

Gestos Mágicos

Categorias: Terapia

Tags:

Postado por Lux em: 13-08-2015

0

Theoretically this is an age of Science! Pois sim. Ciência que não penetrou a mentalidade do Homem, mantendo-o inalterável complexo de Anjo e Demônio. Vivem os resíduos das práticas exorcistas católicas já existentes no primeiro século e renitentes, apesar das restrições conciliares do Vaticano II; das purificações da Grécia e Roma: dos cultos da Caldeia derramados entre os romanos e semeados pela Europa sob as legiões do Império; da Bruxaria medieval; dos processos feiticeiros dos séculos XV ao XVIII, patrimônio da Credulidade eterna, resistindo, soberano, entre os edifícios de cinquenta andares. A Bruxa não viaja cavalgando um cabo de vassoura mas sentada numa poltrona de avião a jato. The civilized man has a moral obligation to be skeptical! Pois sim. Quando falamos nesses assuntos aos europeus e norte-americanos do Alto Progresso Mecânico, têm um sorriso de compreensão apiedado para os Povos que não pertencem às Nacionalidades Determinantes. Estão completamente esquecidos da poderosa existência da Superstição entre os seus valorizados conterrâneos. As Cidades crescem mas seus habitantes são criaturas humanas, orgulhosas da maquinaria e temerosas do inevitável Sobrenatural. Bergen Evan e os ingleses Edwin e Mona Radford pesquisaram e colheram documentário nos Estados Unidos e Grã-Bretanha anterior, em volume e extensão, do dilúvio de Angústia e Sexuália desabando sobre a Humanidade eletrônica. Completará o painel The Folk-lore of Sex (New York, 1951), do doutor em Filosofia Albert Ellis. Verificar-se-á a Cidade-Grande constituir convergência de todos os escoadouros supersticiosos do Mundo na surpreendente widespread diffusion of superstitious beliefs, divulga Sir John Hammerton em plena contemporaneidade astronáutica. Onde a moda consagrou os colares de abundantes amuletos para o pescoço dos três sexos? Os pretos africanos ornamentam-se sabendo a história de cada objeto mágico aparentemente decorativo. Os elegantes ocidentais obedecem jubilosos às imposições exteriores, alheias à escolha submissa dos usuários. Sem que tenham Fé religiosa, mantêm a disponibilidade crédula e na maioria a repetição dos gestos propiciatórios do Bem os afastadores do Mal. Muito mais acreditam nos Efeitos do que nas Causas. Não mais havendo hierarquia no confuso e difuso Culto personalíssimo onde Deus é uma informe névoa luminosa como fora sarça flamejante, amuletos e gestos caracterizam a liturgia intermitente e desordenada. Há mais profissionais do Pavor na Califórnia que nos Rio de Janeiro e Buenos Aires reunidos. Os gestos mágicos são diariamente vistos na consciência ou insciência das origens mais abundantes e naturais da mímica cotidiana: Bater palmas, tocas o solo, tocar madeira, erguer a mão aberta, fazer figas, fazer Isola (indicador e mínimo estendidos, os demais presos sob o polegar), varrer os ares com os dez dedos espaçados, balançar a cabeça, soprar, ajoelhar-se, indicador e médio afastados em ângulo, fechar os olhos em concentração, entrar com o pé direito, abanar a mão como dispersando o mau cheiro, escarrar afastando imagens opressivas, abençoar com o sinal da Cruz ou a mão na cabeça, beijar a unha do polegar (final de benzer-se em Roma), curto sopro dizendo “Livra!”, mão curvada batendo o ar como se ferisse alguma coisa viva, cruz com os indicadores ou polegares, tantos, tantos… This is an age of Science!

Texto indicado pelo meu psicoanalista, para reflexão sobre símbolos e controvérsias na minha vida. Livro original aqui.

História dos Nossos Gestos
By Luís da Câmara Cascudo